Era uma festa e todas as funções estavam se divertindo pacas. Todas, exceto a mais chata delas: o e^x. Ele mantinha-se isolado em seu canto. Eis que as demais funções, vendo seu descontentamento, viram para o e^x e perguntam:
Li “O Fim da Eternidade” em menos de uma semana. Reli boa parte dele no tempo que completou este ciclo de sete dias, e publiquei hoje minha resenha oficial com spoilers contidos no Ambrosia, você pode conferir clicando aqui. Mas diante de tamanha obra prima da ficção-científica, percebi que tinha algo mais à falar. Portanto, o farei neste post. Mas aviso-te: Se você não leu “O Fim da Eternidade”, pare por aqui, porque os parágrafos seguintes contêm MUITOS SPOILERS.
*****
Começemos já na parte final, pois os fatos que pretendo comentar referem-se principalmente à última conversa de Harlan e Noys. A narração dos episódios que culminam na brilhante dedução de Harlan – sobre a verdadeira identidade de Cooper e o tempo nativo de Noys – acompanha toda a visão de Asimov, deveras mente aquém de seu próprio tempo. Muitos podem contrapor a frase anterior lembrando-se das tecnologias “avançadas” retratadas no livro, como os computadores utilizarem os finados cartões perfurados de outrora, por exemplo. Mas a maioria das idéias é por demais maduras e tal crítica faz-se desnecessária e totalmente incabível. Tanto as que dizem respeito sobre o comportamento humano, quanto sobre as que expõem o futuro incerto e fatídico da humanidade. O ser humano realmente tem a mania de assumir a responsabilidade, tentando estipular o que é melhor para todos, mas este conto nos mostra que na verdade, nada sabemos. Não temos certeza nem quando temos certeza que temos certeza.
Isso fica perfeitamente claro nos dois capítulos finais. Quando Noys se revela habitante dos Séculos Ocultos, vemos o quão a Eternidade – que até então aparentava ser uma entidade à prova de falhas, quase como a perfeição e a plenitude da evolução humana – é fraca e sem lógica. A prática de sacrificar algo aparentemente sem propósito, como as pesquisas em viagens espaciais, fez com que a humanidade terminasse. Isto expressa uma bela metáfora da vida: É comum acharmos que estamos protegendo alguém ou que sabemos o que é melhor para nós ou para nossos semelhantes, mas nós não sabemos. E nunca eis de sabermos. No conto, Harlan só soube que sua “casa” errara, porque a própria poesia da história (as viagens no tempo) permitiu que este o fizesse. Noys revela que na sede de se auto-proteger, de se auto-preservar, a humanidade destruiu suas mais importantes descobertas, as que possibilitariam sua prosperidade no futuro longínquo. A humanidade havia se acomodado, vivendo em sua casca perfeita de entrelaços de distorções do continum. Desta forma as colônias espaciais foram adiadas em muitos séculos, e outras raças se desenvolveram à ponto de explorar nossa Galáxia e habitar nosso planeta, nos eliminando e extraindo nossos recursos. É interessante observar que Asimov expõe outro paralelo às descobertas científicas: Noys diz que em vários séculos distintos a humanidade se interessava pelo espaço, um interesse sem lógica com os olhos dos Eternos.
Justamente por este motivo que a Eternidade sacrificava as evoluções de astronáutica em função de uma realidade mais “feliz” e estável. Agora, pensemos por um instante, quantas teorias e descobertas de pensadores (isto no mundo real) incompreendidos em sua época são desacreditadas e que, 10 ou 20 anos depois se tornam uma ampliação de fronteiras da ciência? (vide a Teoria da Relatividade Geral de Einstein) Asimov, em sua crítica, coloca que as descobertas que aparentemente não fazem sentido de existirem, na verdade, têm um propósito para tal. A história toda converge para esta conclusão, apesar da idéia ser apresentada nas últimas 30 páginas.
A profundidade da narração nos faz delirar diante de tamanha visão e conceitos. É de fato um deleite tanto para os apreciadores da boa ficção-científica quanto para os entusiastas da filosofia e psicologia. Asimov conseguiu extrair a essência do comportamento humano e inseri-la à uma narrativa rica e que tinha tudo para ser por demais confusa, visto que o próprio tema permite tal comportamento. Mas como percebemos, a mesma constitui a fração intemporal da mente brilhante do maior escritor de ficção-científica que o universo um dia sonhou em conceber.
Sempre fui fissurado nestas surpresinhas de fast-food. Mesmo depois de meus 20 anos, é fácil encontrar-me babando nas mais variadas novidades ligadas, principalmente, à blockbusters, animações e tudo que fizer referência à cultura pop. Nunca havia dado muita importância às supresas do Giraffas, até porque não é uma empresa que ainda compete de igual para igual com gigantes do ramo mundial como Mc Donald’s e Burger King. Mas não dava muita bola às surpresinhas justamente pela empresa não ter licença para produzir brindes ligados à temas aos quais eu me interesso. Algo bem parecido ao Mc Donald’s há bons anos atrás.
Mas isso acabou de mudar, graças à incrível iniciativa e idéia invejável que o Giraffas concebeu. Refiro-me ao “Gira Jardinagem”. Neste mês as crianças (ou não) receberão um Kit com instruções para plantar 4 diferentes tipos de verduras: Alface, rúcula, abobrinha e cenoura. Olha que idéia fantástica! Ao mesmo tempo em que diverte, educa de uma forma incrivelmente diferente, ensinando nossa juventude os preceitos do desenvolvimento sustentável. Eu sou do time que acredita que jardinagem, nos tempos de hoje, deveria ser matéria obrigatória no colégio. É importante que o incetivo à coisas assim aconteçam desde cedo. E é importante reconhecer o esforço e idéias inovadoras de empresas preocupadas com o meio ambiente e o futuro de nosso planeta.
Este brinde é uma realização em parceria do Giraffas e UNICEF à campanha: “Toda criança tem direito de viver em harmonia com a natureza.” Segue uma pequeno texto retirado do folder de instruções:
“Para promover a preservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia, as crianças deverm ser prioridades absoluta nas políticas públicas. por isso o UNICEF desenvolveu a Agenda Criança Amazônia, um amplo processo de mobilizaçãoi de governos, organizações da sociedade civil, comunidade e setor corporativo para melhorar as condições de vida de crianças e adolescentes na região”
Já me falaram que faculdade só serve para duas coisas: Networking, e a oportunidade – se você é um cara de sorte – de encontrar a mulher da sua vida. Sim, vamos fantasiar um pouquinho. Às vezes é bom pensar com inocência!
Temos trilhões de matérias que nem ao menos sabemos para que servem. Disciplinas que só cursamos por obrigação. Professores que… Bem, ao menos não deveriam ser chamados como tal. Salvo raras exceções.
O contexto é o seguinte: Você vem do ensino médio acostumado à estudar para prova no caminho do colégio na véspera, e a conseguir uma boa recompensa por isso. Em determinadas matérias (como matemática e física) nem o estudo é necessário. Somos treinados, mimados ao ensino mastigado, dependente de que uma pessoa traduza as palavras do livro em sentenças à serem assimiladas da forma mais simples quanto possível. Você praticamente não precisa fazer nada. Só ir às aulas. Eis que tu vences o vestibular, o temível vestibular. Consegue uma boa classificação em uma universidade federal. Chega todo empolgadinho e… Toma ‘nabunda’! Com o perdão da palavra, mas não há melhor verbete para descrever a primeira impressão de um calouro adentrando no mais cultuado estabelecimento de ensino. Lugar este, almejado por muitos e odiado por outros tantos. À começar pela m@$%# do trote. É lá, gastando aí algo em torno de 3 < x < 7 anos da sua vida, que você descobrirá sua inacreditável incapacidade para assimilar conteúdos e sua incrível vocação: A de tomar nabunda all the time, sem nem ao menos necessitar de vaselina!
Mas se você está neste estado, com assaduras agressive, não se desespere. Lembre-se que essa %&$#@ serve só para o famigerado networking e mulheres mesmo.
Tente ignorar a bebedeira. Eu sei que é difícil, mas você vai precisar de neurônios sobressalentes para aprender tudo aquilo que deveria ter aprendido durante aqueles 4/6 (4 “barra” 6, não quatro sextos!) anos que você gastou para receber uma folha de papel jeitosinha (o diploma, para você que já abusou um pouco mais da bebida!).
É extremamente recomendável que você inicie uma busca incessante por amizades diversas. Não precisa gostar das pessoas, mas não seja chato! Certifique-se que estabelecerás contato. Se for difícil, esta canção pode ajudá-lo:
No desespero, diga, seguindo o rítmo: “Why can’t weeeeee be friends?” Vai que ajude?
Esqueça as malditas aulas! Tentes assimilar conteúdos por si mesmo. Sim, aprenda a ser autodidata. Simples. Ah, mas existem alguns fdps que insistem em fazer chamada, né? É, neste caso a aula é inevitável. Para isso que existe Nintendo DS, PSP, livros, HQs… Use sua imaginação para aproveitar melhor o seu tempo. Eu procuro estudar (não sempre) nas respectivas aulas. Você sempre deve ter em mente que professor é aquele cara que vai te ferrar na prova e tentará de toda forma te reprovar. Seja homem e vença-o!
Se você seguir estas dicas quem sabe um dia não estará cantando esta outra música:
E talvez, acompanhado da mulher da sua vida. Aquela, que você conheceu na aula de sociologia. ;D
Como bem diz a letra da música que acabei de enunciar, aqui estou eu. Para você, desavisado, que quiser ler um pouco mais deste ser que vos escreve, devo informá-lo que estou escrevendo no Ambrosia, que já fazia parte do meu blogroll à um tempo. Lá encontrará todo o tipo de notícia e opinião sobre anime, quadrinhos, cinema, games, TV, RPG e todos estes assuntos pertinentes à cultura pop.
Só para não perder o post, se é que essa expressão existe, venho aqui trazer algumas boas novidades que pude acompanhar no decorrer destas semanas em que estive, digamos, “ausente”.
Começando por quadrinhos. Foi lançado há alguns dias a última parte da minissérie que explica a morte do Homem Morcego, intitulada: “Whatever Happened With The Caped Crusader?”, uma clara referência à obra de Moore, que outrora explicou a morte do Homem de Aço. Ainda não terminei de ler, mas já de antemão a indico. Gaiman é sempre Gaiman. Só um adendo, a história ainda não foi publicada em terras tupiniquins, ou seja, importe ou espere uns bons meses.
Outra obra em quadrinhos – mas agora em mangá – que devo evidenciar é Nausicaä, do mesmo criador de “A viagem de Chihiro”, a animação vencedora do Oscar de 2003. A obra já conta com um longa também, mas eu ainda não tive a oportunidade de assistir. Só falando do mangá: Uma das melhores obras que eu já pude conferir neste formato. É deveras feliz ao mesclar elementos de fantasia e ficção científica em um futuro pós-apocalíptico. Segue a sinopse direto da “nossa” Wikipédia:
“Mil anos após os “7 Dias de Fogo”, um evento que destruiu a civilização humana e a maior parte do ecossistema da Terra. A humanidade se esforça em sobreviver neste mundo em ruínas, divididos em pequenas populações e impérios. Isolados um dos outros pelo “Mar da Corrupção”; uma floresta com plantas e insetos gigantes. Tudo nesta floresta é tóxico, incluindo o ar.
Nausicaä é a princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que tenta compreender melhor estas florestas nocivas aos humanos, ao mesmo tempo que tenta salvar seu povo da ação belicosa dos reinos vizinhos.”
O mangá é publicado desde 2006 pela Conrad. Atualmente está no quinto volume. Vale à pena conferir.
Sobre cinema, vai ser curto e grosso: Não, mas de maneira alguma, assista X-Men Origens: Wolverine… Ou assista, porque se até agora você não sabe que este filme é uma #$%@*, talvez tu não sejas fã, e até aproveite, se é que isso é possível. E, apesar de ainda não ter assistido, parece que Star Trek vale à pena.
*****
Mas vamos ao responsável “legal” pela minha ausência. Cálculo. Eu, durante minha curta experiência acadêmica, procurei um livro que se adequasse aos meus propósitos. Que, ao mesmo tempo fosse detalhado em definições e conceitos, fosse desprovido de muitas notações complexas, de modo a facilitar a compreensão. Um livro de leitura leve e agradável, ideal para os momentos (tipo, um dia) que antecedem os testes. Perfeito para rápidas consultas e que tivesse exemplos simples que só os lendo, você poderia compreender o mecanismo de resolução. Não me importava à quantidade ou o nível dos exercícios, pois isso é plenamente remediável. Importava-me apenas o conteúdo para estudo, já que se for depender apenas das aulas – digo isto para faculdade pública, que é onde estudo – é provável que o entendimento da matéria seja o suficiente para que sua nota tenda para um quociente cujo denominador, por sua vez, tenda para o infinito pela esquerda.
Digo com muito orgulho que encontrei este material: Cálculo vol. 2 do Munem /Foulis. Sempre passei batido por este título, preferindo livros mais influentes como Swokowski ou Leithold. Mas, Foulis é até o momento o melhor para quem procura entender a matéria de maneira rápida e eficiente. Mais do que recomendado para quem cursa exatas ou tecnológica.
Assim me despeço. Vida longa e próspera!
PS: Lembra deste post? Então, finalmente publiquei a resenha! Clique aqui para conferir.
Devido a esta imagem, vinculada na maioria das edições da Marvel, diversos rumores sobre o retorno de Steve Rogers como Capitão América têm surgido. Eu particularmente acredito que tal imagem, além de obviamente representar o símbolo do Capitão, expressa um simbolismo oculto, mas ironicamente conhecido. A estrela, que representa o nascimento (ou renascimento no caso do herói), é facilmente observado em túmulos, acompanhada da cruz, que representa o oposto.
A Marvel disponibilizou hoje o preview da edição #49 de Captain America, que deverá estar à venda nos States no próximo dia 15. Segue a sinopse e as imagens:
“Que tipo de segredos os sonhos de Sharon Carter irão revelar?
Finalmente é revelada a questão mais importante desde a edição 25! Os sonhos de Sharon Carter – sob o controle do Dr. Faustus – estão fazendo-a reviver a morte de Steve Rogers. Mas será que estes sonhos também revelarão segredos ocultos sobre o que ela viu e fez no dia em que Steve morreu?
Já li incontáveis artigos sobre religião. Uns afirmando que a crença religiosa cegava o povo, manipulava os homens os submetendo a certos dogmas contraditórios, e outros dizendo que tal prática só causava benefícios, aproximava as pessoas e as fazia mais solidárias umas às outras.
Eu sou agnóstico. Não afirmo nada a respeito da existência de um ser onipotente e onisciente, apesar de achar que tal ente tenha chances mínimas de existir. Não tenho nada contra as práticas religiosas de maneira isolada, vejo isso como algo íntimo, que assim como uma infinidade de coisas, é passível de ser praticado junto a uma aglomeração, mas não de maneira aberta. Entenda isso como algo que deva ser praticado de forma indireta, oculta. Obviamente, devido à própria definição de liberdade e estado. Rousseau disse que todos assinamos um contrato social e que somos livres perante as leis que nos regem. Todo o estado deve ser laico e acolher a todos os tipos de crença. Independentemente das discussões sobre o que é bom ou ruim, um país não deveria assumir nenhum tipo de posição religiosa, isso poderia ser encarada como uma forma de exclusão. Quando se assume que uma fração da população, seja ela grande ou pequena, milita certo tipo de prática religiosa e tal nação adere a esta militância, em algum momento, esta atitude prejudica algum grupo de cidadãos.
A meu ver, tal preceito deveria ser superior a qualquer bagagem cultural. Você provavelmente já percebeu qual é o meu objetivo nesta discussão: Porque temos uma semana santa e feriados nacionais religiosos, se por definição, o estado é laico?
Bom, se vivemos em um estado democrático, e, supondo que a maioria da população seja católica, temos uma vontade de um grupo suficientemente grande, fazendo com o que estamos discutindo aqui aconteça, pela própria definição de democracia, certo? Não, errado. Se a maioria da população achar que deva receber do governo uma garrafa de aguardente por mês, isso deve acontecer? Também não. Porque para tudo existem limites. As leis são feitas para que o homem possa viver em sociedade da maneira mais livre possível, mas esta não é uma liberdade plena, pois a plenitude no ato liberal limita as ações de seus conviventes. Se tal ação sua impede de que o outro seja livre, você está infringindo o contrato social. Pois bem, se temos feriados religiosos, porque não podemos ter o dia de beber cachaça, se a maioria da população agrada da bebida? Percebe a contradição?
Esta simples discussão sobre o que o estado deve ou não conceber como público nos incita a perceber o quão contraditório é o sistema. Se, em um acontecimento tão culturalmente popular, as leis de convívio falham de maneira tão abertamente, como podemos estipular o que é certo ou errado? Ignoramos as normas, pois o “problema” em questão não nos atinge de maneira incômoda? Algo me diz que este é um comportamento errôneo da nossa parte. Todas estas suposições, obviamente, estão limitadas por minha deplorável ignorância, a limitação que todos temos. Não sou estudioso de filosofia ou direito, talvez seja por isso que eu não consiga enxergar tal fato de maneira tão clara, e infelizmente, seja incapaz de formular uma reposta para a pergunta em negrito.
Patrick Acton é o nome deste brilhante escultor. Ele faz estes monumentos utilizando epenas palitos! Entre suas criações está a fabulosa Minas Tirith diretamente da Terra Média e a escola de magia e bruxaria de Hogwarts.
A cidade dos Reis de “O senhor dos Anéis” ainda não está pronta, Acton a está montando desde 2007! Claro que para os nerds, está é sua obra mais magnífica, porém, Patrick possui outras belíssimas esculturas no currículo, como a estação de lançamento da NASA e a catedral de Notre Dame. Você pode visualizar mais imagens clicando aqui.
Este fim de semana aconteceu uma das etapas classificatórias para o campeonato mundial de aviões de papel, o Red Bull Paper Wings 2009. O evento ocorreu em Brasília, e contou com a participação de diversos aspirantes à designer de aeromodelos de papel. Pensando nisso, resolvi escrever uma matéria especial sobre este gênero tão singular do, digamos, aeromodelismo.
Resolvi abordar em três etapas principais este guia à “Designer de avião de papel”. Começarei apontando os conceitos básicos que fazem um veículo, seja ele de aço, madeira ou papel, se manter no ar com certa estabilidade. No caso deste exemplo específico, o que é necessário para que o modelo plane por mais tempo possível. Em seguida indicarei alguns modelos utilizados pelos melhores competidores. E, por fim, destrincharei o “melhor avião de papel do mundo”.
O funcionamento de um avião
Logicamente explicar um funcionamento completo de um modelo de aeronave em qualquer escala demandaria muitos conceitos técnicos a serem abordados, portanto, tentarei expor uma quantidade considerável de informações da maneira mais simples quanto possível.
Existem quatro forças principais que atuam sobre um aeromodelo em vôo. São elas:
A sustentação, o arrasto, o peso e a tração (ou propulsão). Conforme o desenho acima.
A sustentação é uma força oposta à gravidade e a principal força atuante sobre uma aeronave, pois é ela que tornará possível o vôo. É a componente da força aerodinâmica perpendicular ao movimento do vôo. Muitos acadêmicos têm discutido a respeito de qual teoria seria a mais correta para explicar o fenômeno de sustentação: o princípio de Bernoulli ou as leis de Newton. A verdade é que ambas se complementam, e sem uma delas o estudo do fenômeno pode ficar comprometido. A seguir tentarei expor ambas as teorias, afim de uma compreensão mais intuitiva do problema.
i) O princípio de Bernoulli
Se olhares com atenção a asa de qualquer avião, perceberás que ela não é plana, e sim, curva. A isto dar-se o nome de plano aerodinâmico (ou arifoil, em inglês). Os planos aerodinâmicos são desenhados justamente para que o modelo ganhe elevação por sustentação.
Para entender como o princípio de Bernoulli provoca esta sustentação, primeiro temos de compreender que o ar pressiona todos os pontos de um corpo de igual maneira, na grande maioria das vezes. Ao observar a asa de um avião, verá que a parte superior da mesma é mais curva do que a inferior. Suponhamos que duas partículas de ar se separem ao se chocarem com a parte anterior da asa (no desenho abaixo, da esquerda para direita). Uma delas iniciou seu movimento pela parte de cima e a outra pela de baixo. Como a parte de cima é curva, ou seja, constitui o maior caminho á ser percorrido, a partícula que se deslocou por esta passagem deverá percorrer a mesma distância que a partícula de baixo, no mesmo tempo, a fim de se juntarem novamente ao final. Desta forma, a partícula de cima deverá possuir uma velocidade maior do que a de baixo. O princípio de Bernoulli diz que a pressão varia de forma inversamente proporcional à velocidade de fluxo de um fluido, ou seja, quanto maior a velocidade, menor será a pressão que este fluido, no caso o ar, fará sobre a asa.
Resumindo: na parte superior teríamos uma pressão menor do que a parte inferior da asa, isto faz com que o ar “empurre”, por assim dizer, o avião para cima.
ii) A explicação Newtoniana
Sir Isaac Newton declarou em sua terceira lei que: “Para cada ação, existe uma reação igual e oposta”. A sustentação na visão newtoniana depende, em grande parte, da inclinação da asa ou do “ângulo de ataque”. Se a parte inferior da asa estiver apontada para cima, as moléculas de ar serão ricocheteadas para baixo (ação), impulsionando a aeronave para cima (reação).
Claro, como já foi explicitado, ambas as teorias se complementam. O fenômeno de sustentação acontece em conseqüência das duas leis.
O arrasto é essencialmente a força de atrito que o ar provoca sobre o avião. É importante, pois ela diminui a velocidade do aeromodelo no pouso.
O impulso é a força oposta ao arraste. Ela, em aviões convencionais, é produzida pelo motor. No caso de aviões de papel, sua mão será a responsável por impulsionar o modelo para frente.
O peso é o que menos precisa ser comentado. É o produto da massa do avião pelo valor da aceleração da gravidade. Quanto mais leve, menor será o “efeito” da atração gravitacional sobre o modelo, e mais eficiente será a força de sustentação.
Os modelos
Os modelos são divididos por grau de dificuldade de “montagem”. Abaixo estarão disponíveis os links para as instruções de montagem (em inglês, mas nos modelos iniciantes é possível dobrar apenas seguindo as linhas indicativas) e em alguns casos, o vídeo da montagem para download. Comecemos com os modelos iniciantes.
A) Modelos Iniciantes
1) Modelo Arrow
É o modelo mais simples de montar. Descreve um vôo reto e suave, suas abas na parte traseira otimizam o efeito da sustentação.
Este modelo já descreve um vôo mais rápido, também é bastante simples de dobrar. Se necessário, há a possibilidade de adicionar os flaps do modelo anterior, dependendo do objetivo. Se quiser voar mais alto, eu recomendo esta modificação aerodinâmica.
Este modelo é bem curto em comprimento e voa reto como uma flecha. De modo geral, ele necessita de uma modificação na borda de suas asas traseiras para que ganhe mais elevação, os flaps são uma opção.
Este avião ganha muito em sustentação, ou seja, alcança longas alturas. Não é necessário nenhum tipo de modificação, exceto se quiser estabilizar seu vôo em “baixas” altitudes (em escala de aviões de papel, é claro).
Este estranho avião recebe o nome de seus dois conjuntos de asas, quase simétricas, que lembram uma libélula quando vistas de cima. Este é um modelo acrobático e se o lançador impulsioná-lo com muita força, o modelo tenderá a descrever loops.
Este avião de papel recebe o nome das pequenas asas que sempre ficam á frente das principais, chamadas canards. Já abordei esta aerodinâmica neste post. Este modelo, se dobrado corretamente, apresentará uma grande estabilidade, descrevendo um vôo reto e distante.
Este avião alcança uma velocidade surpreendente, apesar de não descrever um vôo tão estável. Seu nome bullet (bala, em inglês), traduz seu comportamento no ar.
Este modelo é um dos mais interessantes já projetados. É um planador por excelência. Lance-o para cima e ele planará durante grandes distâncias, para baixo descreverá círculos até pousar.
Este modelo é um estável planador, independentemente da habilidade do lançador. Suas grandes asas proporcionam uma considerável sustentação, aumentando seu tempo de vôo.
O Bulldog possui um nariz compacto o que proporciona grande estabilidade, mantendo seu centro de gravidade para frente. Ele voa bem em locais fechados e abertos com brisa leve.
Este é um dos modelos mais complexos em termos de montagem, mas se feito com cuidado e de forma correta, o recompensará com uma tremenda estabilidade. Neste caso, é praticamente perfeito em qualquer lançamento.
Não é nada comprovado, mas segundo o autor deste site, o avião de papel que ele descreve, segundo o próprio, é o melhor modelo do mundo, graças as suas características únicas. Clique no link para aprender a dobrá-lo.
Agora já tendo abordado sobre a aerodinâmica, o funcionamento físico de um avião em vôo e os mais variados modelos de que se têm conhecimento, eu não poderia deixar de incluir as dicas para uma dobragem, customização e lançamentos perfeitos, então, vamos a elas.
A técnica de dobragem é, talvez, o passo mais importante para se ter sucesso no ramo de aviões de papel. Faça cada uma das dobras e cortes cuidadosamente como manda as instruções. As dobras devem ser feitas sobre a pressão da ponta de seus dedos, em geral utilizando o polegar para delinear as dobras já feitas, puxando-o em direção ao seu próprio corpo. Isto ajudará a firmar melhor o desenho do modelo. Se cometer qualquer erro durante este processo, não hesite em começar tudo de novo, se buscas a perfeição, evidentemente.
Existem dois tipos de linhas nas instruções para dobragem. As linhas de corte (cut line) e as linhas de dobra (fold line). Preste bem atenção nelas.
Não importa o que dizem a você, cada modelo possui suas necessidades ocasionais de regularização para alcançar o melhor desempenho em vôo. Existem certos aspectos de customização que você deve ter em mente para realizar tais ajustes.
O diedro
O diedro é uma customização de dobra que modifica a fuselagem do modelo a fim de buscar mais estabilidade durante o vôo. Ao perceber que seu modelo tende para um lado específico durante o lançamento, eu recomendo tentar esta modificação.
Os flaps
Esta técnica de corte e dobragem é uma boa alternativa para corrigir certas trajetórias. Se perceber que seu avião está tendendo o bico para baixo, tente modificá-lo desta forma. Faça dois cortes em cada asa com a distância de uma polegada entre eles, em seguida faça dobras leves colocando-os para cima. Os cortes devem ser simétricos. Pra mais detalhes veja o vídeo do primeiro modelo deste post.
Abordei os modelos mais comuns dentro desta modalidade de aeromodelismo, mas nada, nem mesmo a informação, vence trabalho árduo, criatividade e treinos. Agora você já pode começar a treinar para o próximo Red Bull Paper Wings!
Foi lançado recentemente o disco de extras de “Watchmen: o filme”, trazendo-nos a história paralela “Contos do cargueiro negro” em forma de animação e “Sob o capuz”, uma espécie de documentário com mais informações sobre os personagens da HQ.
Contos do Cargueiro Negro foi brilhante dentro da Grafic Novel, dotado de uma profundidade e elegância que eu nunca havia visto antes. Utilizava da metalinguagem para traduzir um universo paralelo na qual contava a trajetória de um náufrago que buscava retornar à sua casa e salvar seus entes queridos de um massacre pirata. A todo o momento sua narração poética exibida na espécie de um monólogo contrastava os sentimentos deste homem à realidade principal da história. Desde que foi anunciado que o filme não iria trazer este recurso, eu lamentei, pois era de fato uma perda imensa não fazê-lo, mas entendi o motivo e concordei com sua omissão.
A animação tem direção de Daniel DelPurgatorio e Mike Smith e adapta a história original das páginas de Watchmen. Na revista não havia conversação, isso obviamente muda um pouco para combinar com o novo gênero. Inicialmente há um pequeno diálogo, mas na maior parte da história o personagem principal fala através de seus pensamentos. A narração continua no mesmo estilo, mostrando o clima sombrio que a humanidade viva na época. Em termos de animação não deixa a desejar, embora eu preferisse um estilo anime, algo semelhante ao que fizeram com Batman talvez.
***
O extra “Under the Hood”, que aparentemente pode nos levar a crer ser uma espécie de documentário apenas sobre o livro de mesmo título, escrito por Hollis Mason, o primeiro Coruja, é, na verdade, um “documentário” que explora sob vários aspectos os extras da Grafic Novel original. Não só o livro de Mason, que ilustra as primeiras edições, mas a carta do recrutamento pelo Capitão Metrópolis enviada à Sally Júpiter, a história dos Minutemen, a origem dos vigilantes e, inclusive, detalhes das páginas de Watchmen que não foram utilizadas no filme, por diversas questões.
A entrevista começa focada em Hollis Mason, que conta sua história de vida na Nova York dos anos 40, algo bem semelhante com as páginas de seu livro vistas na obra original. Eles discutem sobre a primeira aparição do Justiceiro Encapuzado - o primeiro vigilante-, a trajetória de Mason na polícia, a criação de seu uniforme, a descoberta de outros vigilantes e como se conheceram. Um dos pontos altos desta conversa fica na pergunta do entrevistador. O porquê de Hollis Mason decidir combater o crime. Ele responde, primeiramente: “Por ser divertido” e em seguida dizendo que também era o correto a se fazer. Algo muito interessante de se ver, pois expressa a idéia da história original, que o conceito de combater o crime era muito mais um fetiche, algo prazeroso e divertido para os vigilantes, que por sua vez é uma ironia proposta por Alan Moore a todas as histórias de super-heróis nos quadrinhos, do que um “fardo que só eles poderiam carregar”. Ser herói era uma brincadeira, acima de tudo, o combate ao crime era conseqüência. Para muitos heróis, como é visto em seguida na entrevista com o Doutor que tratara Rorschach, o combate ao crime era um meio de praticar sua sociopatia da maneira que isto não causasse males às visões puritanas da sociedade. A todo o momento, Snyder demonstra que aqueles heróis são pessoas comuns, como nós. Com medos, desejos e loucuras.
Um dos easter eggs: "O Hotel Coruja"
A entrevista segue com Sally Júpiter, contando um pouco mais sobre seu alterego, a Espectral. Intercalando com os “comerciais” que funcionam como uma forma inteligente de easter eggs, o primeiro deles, nem tanto, pois se trata de um comercial do perfume Nostalgia, mas o segundo, um comercial de um relógio digital, faz inúmeras referências ao Dr. Manhatan, o avanço tecnológico e toda a temática do relojoeiro que é explicitada de forma magistral na HQ.
O extra segue ainda com inúmeras entrevistas que funcionam como um prato cheio aos fãs que acharam que o filme deixou a desejar em diversos aspectos. Traz a visão de Snyder sobre a obra, aproveita os personagens secundários, como o jornaleiro, Moloch e o psiquiatra que trata de Rorschach na penúltima edição, até mesmo jogando com a Grafic Novel, pois o mesmo doutor diz, já finalizando sua conjectura: “Espero que um dia eu possa psico-analizar um destes heróis fantasiados”.
O jornaleiro
Faz ainda análises da questão da interdependência entre heróis e vilões. Comenta sobre a lei Keene, e, conseqüentemente, se os heróis fantasiados foram um benefício ou malefício a sociedade.
Por fim, comenta a origem do Dr. Manhatan e o que sua “aparição” causou à sociedade. Em entrevista, Hollis comenta que os antigos heróis tornaram-se “obsoletos”, e isto talvez tenha o motivado à se aposentar. Agora, pense bem. Nos quadrinhos isto é de fato uma idéia completamente plausível, já que o único ser super-poderoso era o físico azulão, no entanto, no filme, todos os heróis são tratados com entidades super poderosas, logicamente não tão poderosas quanto Jon, mas ainda assim, super. Esta é uma das minhas críticas à adaptação. Os heróis que na Grafic Novel são pessoas comuns com uma fantasia, no filme são tratados como seres com super poderes. Em seguida Snyder utiliza as mesmas explicações e conseqüências da aparição de Jon, que a HQ propôs, de uma forma contraditória. Os vigilantes não deveriam se importar tanto com o surgimento de um ser super-potente já que eles mesmos o eram, cada um à sua maneira.
Bem familiar, se prestares atenção verás resquícios desta canção em muuuuitas outras. Led neste álbum co... ♫ http://blip.fm/~9ggbb23 minutes ago
Atualmente isto não existe mais. É um puro ctrl+c mesmo. 58 minutes ago
Mas até o Led se inspirou no Gallis Pole do Leadbelly. A diferença é que a melodia foi toda recriada e a letra modificada. A música evoluiu! 58 minutes ago
É, quanto não há mais talento para criar algo tão bom, apela-se para o ctrl+c e ctrl+v. 1 hour ago
Rafaell Reboredo
é estudante de engenharia mecânica, amante de ficção fantástico-científica, Star Wars, quadrinhos e mangás, games, RPG e literatura científico-filosófica.